Home | Fale conosco
  São Luís, 07.02.2012
Nas bancas
Publicidade
Matérias

Sala de Aula
O enigma da Química
A disciplina está presente no currículo escolar dos alunos. E apesar de considerada como difícil por eles, o s educadores se esforçam para passar o conteúdo de forma que entendam.


Cadeias carbônicas, cálculos estequiométricos, tabela periódica, gases nobres, anéis de benzeno, ligações covalentes, crioscopia. Palavras que soam estranhas quando fora de contexto, mas dizem muito no universo dessa ciência fantástica que está mais presente em nosso cotidiano do que, de fato, imaginamos. A Química está na respiração, na composição do esmalte, no combustível do carro, na fórmula do remédio e do xampu. Se convivemos dia-a-dia com essa ciência, como explicar a dificuldade dos alunos em decifrar seus enigmas e as barreiras encontradas pelos professores em fazer com estes estudantes entendam a matéria?
O professor Emanoel Gomes ensina Química no Colégio Reino Infantil e nos cursos pré-vestibulares Alquimia e CMV. Para ele, o grande empecilho no ensino da matéria está no caráter empírico de muitos assuntos. Os alunos nem sempre conseguem entender a teoria de processos químicos para os quais não vêem aplicação prática. “A difícil tarefa de ensinar química no segundo grau está no fato de ter que apresentar uma informação de caráter estritamente experimental, onde diversas conclusões experimentais passam pela demonstração física. Isto quer dizer que o entendimento dos fenômenos sugere uma percepção nem sempre presente na altura da visão concreta e palpável”, explica o professor.
A ciência é ampla e as ramificações são muitas, mas para fins didáticos o conteúdo acaba deixando os estudantes com um pé atrás com a disciplina, como é o caso de Francisco Neto, de 22 anos. Formado em Análise de Sistemas, Francisco vai prestar vestibular para Administração da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Depois de muitos anos sem estudar os conteúdos do ensino médio, Francisco se deparou novamente com a Química, antigo fantasma dos tempos de escola. Ele conta que ainda hoje a matéria representa um problema. “Não gosto de Química. Não sei por que ela não entra na minha cabeça. Acredito que se as aulas fossem práticas, poderia ser mais fácil de aprender. Tem alunos que entendem o conteúdo com facilidade, mas esse não é caso da maioria. O meu maior problema é com a Química Geral”, diz.
A dificuldade para compreender conceitos científicos muitas vezes é um fator crucial para diminuir o interesse pelo tema e desmotivar o aluno em estudar as fórmulas químicas e suas aplicações. A matéria acaba sendo encarada como algo impossível de aprender e sem qualquer utilidade no cotidiano. Para minimizar os problemas entre a Química e os aprendizes, novas alternativas têm sido buscadas pelos professores para que assim, se cumpra o desejo de todo mestre: fazer com que os alunos aprendam o conteúdo e que se isso se reflita em boas notas ou aprovações no vestibular.
O professor Marques Luís, sócio-proprietário de cursinho pré-vestibular e professor de Química dos colégios Batista e Educator, leciona a disciplina há 16 anos. Ele explica que para atrair a atenção e fazer com que a aula seja interessante, é necessário permitir ao estudante enxergar como a Química se manifesta em sua vida. “O grande problema da Química, hoje, é a falta de laboratórios. Então, para suprir essa carência nós buscamos levar para a sala exemplos do cotidiano. Não dá para simplesmente dizer que o álcool, por exemplo, é formado por hidroxila e carbono. É preciso dizer que o álcool é bebida, que o álcool é combustível, mostrar o álcool em gel e explicar por que ele é menos inflamável. O acesso à informação é muito grande e o aluno não se contenta mais em decorar fórmulas sem entender o porquê de cada uma delas. Ele quer saber o que acontece e por que acontece”, destaca Marques.
De fato, quando o assunto é a matéria das fórmulas e dos tubos de ensaio, é consenso o problema que os estudantes sentem em visualizar reações que tantas vezes são imperceptíveis a olho nu. Ravi Mendes diz que aprender Química nunca foi para ele uma atividade fácil e prazerosa, mas acredita que com persistência e força de vontade até as fórmulas mais complexas podem ser entendidas. “Meu primeiro grande problema foi enxergar a idéia de que era possível aprender a matéria. Acabava achando que eu não sabia que era difícil e isso só dificultava ainda mais o meu aprendizado. Hoje eu vejo que complicado sempre vai ser, porque realmente não é uma matéria fácil. Mas o importante é não ficar com a primeira impressão, nem imaginar que nunca vai entender. O que vai fazer com que cada um aprenda é antes de tudo a vontade de aprender”, afirma Ravi.


Revista Estilos
Leia também:
• Projeto orienta alunos e pais no aprendizado
• Pequenos notáveis
• Jovens Descobridores
• A importância da gestão educacional nas escolas
• Cursos de capacitação encerram atividades
• Creche em Carutapera atende crianças carentes
• O enigma da Química
• Empresas investem em educação ambiental
• Educação bucal ensina a prevenir
• Creche Escola Sementinha mostra resultados

Entrevista
O professor Jorge Antônio Soares Leão, querido entre os alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão (CEFET-MA), tem conseguido a participação ativa de seus alunos em um projeto que une o aprendizado da Filosofia, ciência pela qual ele se declara apaixonado, com as representações artísticas, tais com a música e o teatro.
Artigos em destaque
Por: Profª May Guimarães
Minha ou nossa culpa?
Por: Profª Maria Silva
Educação e Responsabilidade social
Por: Cidinho Marques
Parceria Família x Escola
Por: Profª Ana Lília
© Revista Estilos - Norte Nordeste Copyright 2004.
Todos os direitos reservados.