Parceria Família x Escola
Ana Lília
Um dos mais significativos diferenciais que uma instituição de educação pode trazer, como marca essencial, é a busca da permanente parceria entre a família e a escola. Não podemos conceber a possibilidade de se fazer educação de mão única.
As crianças são uma resposta à ação de seus educadores, de formação ou não, que com elas travam relações de autoridade e parceira. Refiro-me aqui, ao assertivo conceito de James Hunter, em “O Monge e o Executivo”: autoridade é a “habilidade de levar as pessoas a terem prazer em fazer o que você quer por causa de sua influência pessoal”.
Nossas crianças crescem e se tornam adolescentes assimilando as influências de um imenso universo e de distintas posturas, que vão além da família e escola, como normalmente supomos. Desde enfermeiras, num primeiro momento, passando por babás, de significado fundamental no dia a dia das crianças, a transmitir sua vivência e sabedoria, sem teorização formal e então, a mídia a exercer essa autoridade-influência nos pequeninos, fazendo-os imaginar a existência, e destaco, na melhor das hipóteses, de um mundo tal como apresentado pelos Backyardigans, por Charlie e Lola, ou pelo Spartacus de Lazy Town. E só em seguida, a influência da professora. Qual “tia” nunca foi chamada de “mamãe”, num comprometido ato falho?
Ao imaginarmos que cada um desses protagonistas carrega consigo suas próprias propostas educacionais, teorizadas ou não, as vivências e as conceituações que a vida lhes permitiu experimentar, reconhecemos que vários disparos são dados e em direções as mais diversas.
O que pretendemos obter como produto da ação educativa que dispensamos aos nossos filhos? Se, como pais, temos um alvo, metas a serem alcançadas, precisamos de estratégias e, ainda, de um compromisso constante de avaliação ao longo dessa caminhada.
A primeira delas precisa ser o buscar a melhor escola; entendendo-se assim, aquela cujos propósitos pedagógicos são compatíveis com as aspirações de pai. Para alguns, o seu dever educacional acaba aí: “meu filho está numa boa escola!”. Agem como se o futuro do filho estivesse predestinado ao sucesso, pela simples decisão de transferir para a boa escolhida escola a responsabilidade da educação. E tudo o que é ensinável e de preferência o que não produz orgulho... “isso ele aprendeu na escola”!
A convivência nessa boa escola é de apenas 4,5h/dia; ignoram-se as outras “autoridades” a influenciarem os filhos, no decorrer das 19h1/2 restantes. Quanto desse tempo tem sido de influência dos pais?
Assim sendo, a escola que pretende obter êxito educacional precisa ter, nos pais, parceiros eficazes, estabelecendo um relacionamento verdadeiro, franco e ético, pois a contribuição mútua na mesma direção traz resultados promissores, para a vida de todos os envolvidos no processo. Pais frustrados diante do que idealizaram, até mesmo pela própria desintenção de educar, ao se perceberem completamente impotentes, buscam, na escola, uma ação mágica de educação.
Para que a escola e a família prossigam na mesma direção é preciso conhecimento, aproximação, afinidade, respeito, valorização do outro. A escola precisa caminhar para minimizar os anseios educacionais dos pais e a estes cabe conhecer os princípios e valores que a norteiam, e que, sem dúvida, serão transmitidos a seus filhos.
Portanto, é imprescindível a permanente disponibilidade da escola e dos pais para encontros específicos que contemplem as necessidades individuais; que aconteçam por iniciativa de um ou de outro, daquele em que houver demanda. Paralelamente, momentos coletivos que incentivem os pais a pensarem a Educação, já que, educar, segundo Freud, se constitui como um dos ofícios impossíveis.
Enfim, à escola cabe “inventar”, se necessário for, estratégias que permitam aos pais conhecê-la com transparência; e aos pais, o dever de identificar a escola que se propõe a caminhar junto, de forma a garantir uma formação que proporcione satisfação e realização, o que muitos traduzem como a busca do SER FELIZ!
Ana Lília Figueiredo Teles de Menezes, Educadora pós graduada em Novas Modalidades de Ensino, Diretora do Colégio Educator, Psicanalista membro do Corpo Freudiano de Psicanálise – Seção São Luís.
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