Home | Fale conosco
  São Luís, 29.07.2010
Nas bancas
Publicidade
Artigo


Ser ou não ser conectado
May Guimarães

Computador, computador meu, existe alguém mais rapidamente conectado do que eu? A analogia com a estória de Branca de Neve nos faz pensar sobre as identificações das pessoas deste Terceiro Milênio com as novas tecnologias. A perda da natureza como contexto de educação infantil causa uma série de mudanças na maneira de ver e agir no mundo dos adultos. O contato das novas gerações com as novas tecnologias começa antes do nascimento. Em outros termos, os pais, antes que a mãe dê a luz, já inserem a criança no mundo da tecnologia.
As mamadeiras são esquentadas no forno de microondas e o leite congelado antecipadamente. Brinquedos e babás eletrônicas já são artigos de muitas mães desde o momento que o bebê nasce. Os computadores, celulares, vídeo games, ipoid, televisão etc. fazem parte da rotina infantil. Sem sombra de dúvida o mercado de artigos infantis cresce muito rapidamente em países industrializados. A criança é o consumidor mor que permite alto faturamento a diversos tipos de empresa, desde mamadeiras, decoração medicamentos, brinquedos até o turismo sexual.
A globalização de mercados facilita a uniformização de hábitos, idéias, gostos, e do senso estético. A moda, a culinária, a música, a dança, os filmes, o esporte, as tragédias e as celebrações tornaram-se planetárias. A tecnologia, apesar de ser um ganho para as comunicações intercontinentais e outros recursos do mundo do trabalho, pode se transformar em uma arma voltada para o próprio usuário. Os excluídos da era digital são cada vez mais rechaçados e permaneceram alijados da escola e de muitos avanços nas diversas áreas do conhecimento. Atualmente já não conseguem receber o próprio salário em terminais eletrônicos.
Além de uma transformação sócio-econômica célere, sem precedentes na História, as novas tecnologias ocasionam uma revolução cultural. A digitalização da comunicação, da imagem, dos relacionamentos provoca severas conseqüências em níveis regionais e internacionais. Novas dimensões de tempo e espaço são vivenciadas através da mídia eletrônica. Os internautas mirins podem ter acesso a uma gama de possibilidades até então inusitadas, sem nenhum tipo de limite externo. Se, anteriormente a leitura de livros possibilitava a imaginação voar para “terras sem fim”, a realidade virtual cria mundos bizarros, habitados por criaturas dinâmicas que interagem com os indivíduos de maneira similar ao contato direto, subtraindo a presença física. As especificidades regionais tendem a se tornar folclore e a desaparecer ao longo do tempo.
Os aparelhos eletrônicos se transformam em uma “extensão” do cérebro humano, alterando as representações mentais e as conexões sinápticas. A permanência durante muitas horas em frente a um computador concorre para a instalação de distúrbios de comportamento e mentais. Especialistas em computação e medicina afirmam que um dos vícios desenvolvidos na atualidade é o jogo eletrônico em rede. Uma criança ou um adolescente viciado em jogos eletrônicos costuma desenvolver irritabilidade, aumenta a expressão de atitudes agressivas, desenvolve impaciência com atos que envolvem lentidão como leitura e escrita, perdem o interesse pelas aulas e pela escola, diminuem a capacidade de pensamento e reflexão limitando-se a responder por automatismos, afastam-se do convívio familiar e social. O seu interesse fica voltado exclusivamente para as atividades e conversas relacionadas com os jogos. Se forem impedidos de jogar, tornam-se agressivos e desesperados. Tudo isso gera uma multiplicação de pessoas desprovidas de senso crítico, muitas a mercê das marés de campanhas publicitárias agressivas que os atingem como público alvo. O controle de permanência deve ser mantido firmemente pelos pais a fim de evitar que o computador torne-se uma arma voltada para os próprios filhos. A família que permite o vício em jogos precisa de ajuda profissional e promover uma mudança de atitude mediante a utilização doméstica das novas tecnologias.

May Guimarães, Psicóloga com formação Psicanalítica, Doutora em educação pela Unicamp.


Revista Estilos
Leia também:
• Projeto orienta alunos e pais no aprendizado
• Pequenos notáveis
• Jovens Descobridores
• A importância da gestão educacional nas escolas
• Cursos de capacitação encerram atividades
• Creche em Carutapera atende crianças carentes
• O enigma da Química
• Empresas investem em educação ambiental
• Educação bucal ensina a prevenir
• Creche Escola Sementinha mostra resultados



Entrevista
O professor Jorge Antônio Soares Leão, querido entre os alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão (CEFET-MA), tem conseguido a participação ativa de seus alunos em um projeto que une o aprendizado da Filosofia, ciência pela qual ele se declara apaixonado, com as representações artísticas, tais com a música e o teatro.
Crianças recebem orientação bucal
© Revista Estilos - Norte Nordeste Copyright 2004.
Todos os direitos reservados.