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  São Luís, 29.07.2010
Nas bancas
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Artigo
 


Minha ou nossa culpa?
Maria Silva

Quão constrangedor torna-se assistir a um noticiário ou lermos matérias com dados estatísticos desfavoráveis à educação em nosso Estado. E mais desolador ainda é nos sabermos protagonistas desse sistema educacional avaliado. O primeiro impasse de que somos acometidos é o do questionamento do que se faz ou do que se tem feito. O segundo, tentar-se projetar o futuro, com o intuito de se fazer diferente a partir de então. Entretanto, pergunto-me se fazer diferente passa a ser o fazer adequado.
Creio que essa situação negativa deva-se, em grande parte, a vários fatores que permeiam a estrutura educacional vigente. Um desses é a constante implantação de “novos modelos de linha pedagógica”. Não que eu seja avessa a mudanças. Afinal de contas, cada profissional tem liberdade para concordar ou não com isto ou aquilo. A questão é que mudanças constantes, principalmente na área da educação, impedem um diagnóstico preciso desta ou daquela linha de ação pedagógica implementada. E os resultados esperados de um ciclo educacional necessitam de, no mínimo, quatro anos de observação para que se tenha realmente uma comprovação eficaz, mesmo que esta não seja favorável às expectativas. No entanto, geralmente esse espaço de tempo necessário deixa de ser tolerado, a partir do momento em que há mudança de governantes e administradores. Não sei bem por que, mas o primeiro alvo atingido nesses momentos de transição é a educação, mesmo que esta se encontre efetivamente ativa. E quem sofre as conseqüências imediatas de tais ações são alunos e educadores. Aliás, “pedra que muito se muda não cria limo jamais.” Outra questão que pode ser influenciadora desse resultado negativo é o não-envolvimento efetivo do corpo docente em nossas questões educacionais. Talvez porque não o queira realmente, talvez por se sentir alijado desse processo, em momentos de decisão e parecer. E esse comportamento torna-se entendível, pois, às vezes, a permanência em sala de aula nos impede de visualizar questões, fatos e acontecimentos necessários ao nosso crescimento profissional.
Também, como co-partícipe desse resultado relativo à nossa educação, tem-se a família que, antes, almejava a promoção de seus filhos por meio de um conhecimento adquirido e construído com esforço próprio, dedicação e comprometimento. Entretanto, atualmente, o que mais se constata, por parte de inúmeros pais, é a busca veemente de promoção dos filhos via nota, independentemente se esta corresponde fielmente ao conhecimento. Sei que, após essas palavras, algum leitor pode ser induzido a pensar que sou a favor da reprovação. Antes que isso aconteça já informo que o que mais me angustia nessa profissão é ter que lidar com um número cada vez mais crescente de alunos em processo de segundo momento avaliativo.
E, em meio a concorrências explícitas à cata de alunos, as Instituições de ensino (quer públicas quer particulares) contribuem também para esse resultado – acredito – quando dispensam critérios de investigação do conhecimento, apropriados e indispensáveis a candidatos a determinadas séries e níveis de ensino. Mas quero deixar bem claro que também não sou avessa à busca por alunos, até porque eu seria mais um desempregado num país de tantos. Apenas questiono a forma desse processo de entrada.
Poderia citar aqui inúmeros fatores que contribuem (e contribuíram) para justificar esse índice vergonhoso de nossa educação na estatística nacional. Entretanto, referenciei apenas esses por nos serem tão conhecidos que já nos acostumamos a eles, embora vez em quando os questionemos.
O fato é que esperamos não haver perduração desse índice, porque, se assim o for, estaremos fadados ao isolamento nacional (o que já em parte acontece) e desacreditados ainda mais em nossa ação pedagógica, como nordestinos.
E, assim, caminha nossa educação. Enquanto aumenta a sede do discente por conhecimento adequado, a sede do docente por estratégias eficazes e metodologias convenientes, a sede das escolas por um número cada vez mais elevado de alunos, e a sede de todos por encontrar um culpado para esse resultado, o tempo se esvai, mas ainda nos oportuniza uma reflexão sobre o que fazer como fazer e para quem fazer. Afinal, bem já diz Petrúcio Amorim, em suas sábias palavras: “Boi com sede bebe lama; barriga seca não dá sono; eu não sou dono mundo, mas tenho culpa porque sou filho do dono”.
Então, resta-me considerar já realizada uma convocação!

Maria Ribamar Silva, Formada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão, Pós Graduada em planejamento educacional e lingüística, experiência de mais de 20 anos.



Revista Estilos
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